O Peso da Incredulidade
A sede é constante, seca por dentro como se não houvesse mais corpo. A fome tira o pouco de energia que ainda resta. Estou fraca. A única coisa que me mantém alerta é o pensamento de que talvez alguém esteja me procurando. Passos. Uma voz conhecida. — Você é mais resistente do que eu imaginava — diz Martha, parada diante de mim como se tudo fosse perfeitamente normal. — Não vim antes para não levantar suspeitas. Mas agora é hora de mudar de lugar. Aqui já não serve mais. Ela sorri. Mas não é um sorriso gentil. É vazio, frio, como quem já desistiu de fingir qualquer humanidade. — Joe... — penso. Se ele estiver me procurando, por favor, não pare. — Criança intrometida. Você acha mesmo que eu ia deixar você ter a vida que me foi negada? — Eu não te fiz mal — respondo, mesmo com dificuldade. — Me solta. Você ainda pode sair dessa. — Sair dessa? — Ela ri, amarga. — Você tem tudo agora. Gente do seu lado. Uma família. E eu? Fiquei com nada. O que estou fazendo é o que você merece...